Representantes dos sindicatos dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) decidiram, em assembléia no final da tarde de ontem, continuar em greve por tempo indeterminado.
De acordo com o diretor de Imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores da ECT (Fentec), Manoel Santana, os funcionários não estão satisfeitos com o plano de cargos e salários proposto pela empresa.
"O Correio quer ter autonomia para demitir o trabalhador, quando julgar que ele tem baixa produtividade, mas não explica quais seriam as características dessa baixa produtividade", reclamou Santana, ao comentar as propostas da ECT.
Segundo o sindicalista, desde junho, a ECT reduziu o adicional de risco de 30% pago sobre o salário dos carteiros. Ele disse que outro problema é que o plano de cargos e salários proposto pela empresa que extingue o título de carteiro, criando o agente de Correios, "um funcionário com mil e uma utilidades".
Santana assegurou que, em nenhuma cidade do Brasil, os funcionários deixaram de manter o mínimo de 30% do quadro trabalhando. Ele informou que os sindicatos locais deverão fazer reuniões diárias para decidir os rumos da greve.
A Assembléia foi marcada logo após a audiência de conciliação entre representantes dos trabalhadores e dos dirigentes da ECT, na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
O presidente do tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs à categoria interromper a paralisação, iniciada na terça-feira da semana passada, pelo menos até o final de julho. A idéia, segundo Brito, é promover reuniões informais semanais durante o mês de julho, em busca de uma solução para o "conflito". Se o acordo não for aceito pelos trabalhadores, o caso será levado a julgamento, informou Rider de Brito.