03/12/2007

Paraná tem menor efetivo por habitante

02/12 - Paraná tem menor efetivo policial por habitante

Um policial para cuidar de 421 habitantes. E não são apenas policiais militares. Na estatística paranaense estão policiais civis, militares, técnicos (polícia científica e inteligência estadual) e bombeiros. Os dados são do Ministério da Justiça e demonstram que o Paraná é o estado do Sul com menor relação de policiais por número de habitantes. No Rio Grande do Sul é de um policial para 355 habitantes e em Santa Catarina, de 340. No Brasil, a média é ainda menor: um policial para 305 pessoas.


O Paraná tem atualmente 23.537 policiais. Deste total, 13.750 são policiais militares e 6.704 são policiais civis. Se for analisada apenas a polícia preventiva, o Estado teria um policial para cada 720 habitantes. No caso da polícia investigativa, a estatística é de um policial para 1.478 habitantes. Nas calamidades, o Estado não estaria bem-assistido porque tem um bombeiro para 3.459 pessoas. Na polícia técnica (geralmente médicos legistas e técnicos do Instituto de Criminalística), são 219 funcionários -uma relação de um por 45.237 pessoas.


De acordo com o professor Pedro Bodê de Moraes, coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a militarização das polícias não resolve o problema crônico de insegurança que o Brasil vive. Prova é a cidade de Foz do Iguaçu onde foram registrados 234 homicídios entre janeiro e outubro de 2007 (dados oficiais da Secretaria de Estado de Segurança Pública), o que representa uma média de 75,7 por 100 mil habitantes (a média nacional é de 31 homicídios por 100 mil pessoas). ''Em Foz do Iguaçu se optou pela atual de uma guarda municipal militarizada contra o tráfico de drogas e a violência comum a regiões de fronteira. Não adianta violência contra violência. Precisamos de estruturação policial, de políticas públicas para a profissionalização dos policiais, polícia técnica valorizada e em melhor número'', ponderou Bodê.


No Estado, foram registrados 2.158 homicídios no período. Destes, 520 em Curitiba e 407 na Região Metropolitana. ''Para mim, existem sempre dois elementos fortes para o crescimento de homicídios: a gestão equivocada e atuação violenta contra o tráfico'', analisou ele.


No caso específico de Curitiba, Bodê imagina que a violência acaba tendo relação com a marginalização social e a falta de políticas públicas. ''Os pobres não são mais perigosos. Não é isso. Mas existe uma injustiça social que acaba fazendo com que o crime ocorra'', disse o professor. Em Londrina, teriam sido registrados 66 homicídios.


Segundo os dados divulgados, nos últimos 14 meses verificou-se que 56% dos homicídios em Curitiba ocorreram em até 300 metros de ocupações irregulares; 37% foram em até 300 metros de bares; 36,75% em até 100 metros de pontos de venda de drogas. A 100 metros dos pontos de drogas aconteceram 59,5% das lesões corporais.

Fonte: Luciana Pombo - Folha de Londrina

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