Lei antifumo já 'coleciona' quatro ações
| JORNAL DA TARDE - CIDADES |
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Horas depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar o pedido de liminar, que alegava inconstitucionalidade da lei antifumo, outros dois mandados de segurança foram protocolados em São Paulo com a mesma solicitação - para que seja suspensa a proibição do uso de cigarro em ambientes coletivos, públicos e privados do Estado. Com isso, já são quatro ações do tipo movidas contra a nova legislação, sancionada há sete dias.
A “guerra jurídica” já era prevista pelo secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, titular de uma das pastas que vai fiscalizar a lei. Se nenhuma decisão da Justiça alterar a proposta, os bares, restaurantes, casas noturnas, empresas que não banirem o tabagismo e até os fumódromos, a partir do dia 6 de agosto, estão sujeitos a multas entre R$ 790 e R$ 3 mil, que dobram na reincidência e podem resultar na suspensão de atividade do local por até 30 dias.
Anteontem à noite, a ministra Ellen Gracie, do STF, rejeitou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), movida pela Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento (Abrasel). “Vamos pedir amanhã (hoje) ao STF que nosso pedido seja revisto”, afirmou Percival Maricato, diretor da Abrasel. “Não foi julgado o mérito da ação. O argumento usado pela corte foi de que a nossa entidade é eclética”, completou ele, o que indica que a associação não teria representatividade para solicitar a Adin.
Como Ellen não avaliou se a determinação de eliminar o fumo é constitucional ou não, outra entidade que representa o setor, a Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), entende que o posicionamento do STF não indica que a batalha está vencida. O diretor da entidade, Marcus Vinicius Rosa, já havia pedido mandado de segurança para que os cerca de 300 mil associados fiquem “imunes” à lei.
Em resposta, a Justiça deu prazo de 15 dias, que vence em 26 de maio, para que o governo argumente por que a lei antifumo não fere a Constituição.
Ontem, Rosa representou outras duas entidades, a Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares e o SinHores-SP (sindicato dos hotéis) em outras duas ações semelhantes. A Procuradoria Geral do Estado, órgão que defende o governo das ações jurídicas, nega ter sido informada oficialmente desses casos.
BRIGA
ANÚNCIO
A Abresi publicou ontem anúncio em jornais de SP contestando a declaração do governador José Serra (PSDB) de que “alguns espíritos de porco” iriam entrar com ações contra a lei antifumo. A entidade diz que a declaração foi preconceituosa e autoritária
O governo paulista, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não iria se posicionar sobre o anúncio
Fernanda Aranda
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