26/03/2009

Grandes bancas mundiais reduzem pagamentos a sócios

 GAZETA MERCANTIL - DIREITO CORPORATIVO

 

Grandes bancas mundiais reduzem pagamentos a sócios

 


A DLA Piper, Dewey & LeBoeuff e Allen & Overy estão entre os maiores escritórios de advocacia do mundo que estão reduzindo, pela primeira vez, o pagamento a seus sócios, antecipando uma queda de receita. As bancas têm demitido associados e funcionários há mais de um ano em um esforço para ajustarem-se às quedas de receita que alcançaram cerca de 15% em 2009, afirmou Bruce MacEwen, consultor legal com sede em Nova York. Alguns estão encurtando os treinamentos de verão para os alunos de direito, adiando as datas de início para novas contratações, e oferecendo para comprar participação de outros sócios ou licenças de um ano. Agora, o corte de custos chegou aos grandes cargos.


Os sócios das companhias de advocacia, donos de suas próprias empresas e cujos ganhos médios nas 100 maiores empresas americanas foram de US$ 1,2 milhão em 2007, são frequentemente pagos na expectativa de um receita anual. A Dewey & LeBoeuf, de Nova York, reduziu o salário de cerca de um quinto de seus 350 sócios, e a Allen & Overy, sediada em Londres, está desligando 47 sócios e ajustando a participação acionária de 37. A média é baseada em compilações da revista American Lawyer.


"É difícil se livrar de um sócio, então, reduzir o salário é uma maneira simples de enviar uma mensagem de que talvez as pessoas devessem pensar em se dirigir para a porta", disse MacEwan, advogado desde o início dos anos 80. "Não há lealdade real aos sócios atualmente. Isso é conduzido, para o bem ou para o mal, pela economia". MacEwan disse que nunca viu as empresas cortarem o pagamento dos sócios em grandes quantidades.


O volume de fusões e aquisições globais é de US$ 400,3 bilhões até esse período do ano, uma queda de 55% em relação aos US$ 884,3 bilhões no mesmo período dois anos atrás. O número de IPO’s (ofertas públicas iniciais) caiu de 1.463 em 2007 para 547 em 2008. As empresas de advocacia podem cobrar US$ 1 mil por hora pelo tempo de seu sócio em tais acordos, com os honorários variando de US$ 700 a US$ 900 por hora.


No Brasil parece não haver impactos. O consultor executivo da americana Allen & Overy no País, Bruno Soares, afirma que a banca, como todas as outras, está passando por ajustes, reflexos da crise. "É um efeito natural. Mas não há impactos na filial brasileira ou na equipe", diz. A banca não possui parceiros brasileiros formais, trabalham quando possível em conjunto com outros escritórios do País, já que não podem advogar no Brasil.


(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(Fernanda Bompan e Bloomberg News)

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